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6.1.26

A gravidade

Cremilda e Rosilda voltando do trabalho.
- É,amiga,menos um dia. 
- Menos um dia..
- Estava pensando...
-Diga,Rosi
- Que Newton, o físico, não precisava ver a maçã cair pra descobrir a gravidade.
- Por que?
- Bastava olhar os velhos.
- E o que, que...? 
- Uai, não cai tudo?
- Mas é gradativo. A fruta cai de vez.
- Só cai quando está madura, certo? 
- Certo...
-Sabe, acho que essa coisa da maçã do Newton é lenda. 
- Por quê?
- Ele só não queria melindrar os velhos.


29.12.25

Short 2

           A ilha deserta
Calor. Cremilda e Boanerges na varanda da casa conversam sobre reservas nudistas. Rosilda contesta:
-Tirando o Oriente Médio, as pessoas querem mais é exibir o corpo em forma, nudismo é que nem academia, só tem saradões e saradonas.
- Você está equivocada e muito,  Cremilda. Tem gente como a gente.
-hum...
Boanerges suspira
- E sabe o que mais, Boa? Eu curto roupa. A melhor coisa que uma boa roupa faz é levantar o astral da gente, o astral e tudo mais .
- Natural, natural mesmo, Mildinha, seria só nós dois
 numa ilha deserta.
- ...
- O que você está pensando?
- Taí, uma ilha deserta exclusiva, até topava, claro
 com kit de repelentes,  antialérgico,  filtro solar, acampamento climatizado... 
- Aí já é hotel. 
-Hum...
- Que foi,Boa?
- Ué, ilha deserta?
-  Que cara é essa?
- ilha deserta,Cremilda?
- É verdade não tem...Só mesmo Elon Musk...
Ficaram um tempo calados.
- ...
- Que foi ,Cremilda?
- Me ocorreu uma ideia: já que não vamos a uma ilha deserta, a ilha deserta pode vir até nós!
- ....?
- Olha só. A gente bota na nossa novíssima telona 70', 
 um vídeo desses de ilhas paradisíacas em 3D, ficamos pelados e largados, taí  nossa ilha, uns petiscos, uma champanha, Que tal?
Boanerges bate palma:
-  Então, é prá já!
Entram em casa e fecham as persianas.

7.12.25

Sonho íntimo

Calor, Boanerges e Cremilda na varanda do apartamento, na rede, nenhuma vontade de conversar, só de curtir a brisa. Mas depois de algum tempo calados..
- Crê, você tem algum sonho íntimo?
- Ãhn, o quê, íntimo, como assim?
- É, inconfessável, um sonho que você não revela a ninguém.
- Ué, mas se é inconfessável, como vou revelar a alguém?
- Pois eu revelo o meu pra você, numa boa...
- E por que não revelou até agora?
- Não me ocorreu... mas nunca é tarde.
- Eu posso ficar devendo? Não sei qual o meu sonho inconfessável.
- Pode, o meu é ir a uma reserva.
- E o que tem de inconfessável  em querer ir a uma reserva? Que reserva, indígena?
- Uma reserva, de...de naturismo.
- Ah... você quer dizer praia nudista!
- Não, naturista, uma filosofia, o homem-em-harmonia-com-a-natureza.
- Pois olha, Boa, em  harmonia  com a Natureza é que você não está, me desculpe.
- Sem essa, é tipo ninguém se importando se você tá com barriga, ou com algo caído...Ninguém mesmo!
- Ah, pois eu me importo pra caramba com algo caído..
- O que você acha desse meu sonho íntimo?
- Eu acho até bem realizável, se você não vai ficar envergonhado, vai em frente.
- É mesmo?
- Hum, tô sentindo que esse é um projeto em andamento..de quem foi  a ideia?
- Não, não, é minha mesmo, inclusive eu andei assuntando na Internet, é um lance muito famíliar, você não deve   ir desacompanhado, sabia? Vamos?
-  Eu? Euzinha numa reserva naturista? E você acha que é assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo?
- A ideia é essa, o nu é assim,  mais natural impossível!
- Pensa por esse lado... Tirando o Oriente Médio, as pessoas já exibem a maior parte do corpo, então, se vão prá lá pro naturismo, é porque não estão satisfeitas, querem mostrar justamente as partes mais feínhas, certo?
- Mas aí é que está, não veja  por esse lado.
- Já pensou... você cheio de areia ?
- Tem toalha.
-  E você conversando com as pessoas e tal, sem poder se coçar? Nu e querendo se coçar?
- Se todo problema fosse esse...
- E vai que na hora de comer, você senta , num lugar que alguém já sentou...
 - Tem higiene! Toalhas, eu disse. 
- Paradoxo, gente civilizada e naturista. Pode?
- Mas tem que ser civilizado pra ser naturista!
- Paradoxo!
- Cremilda, tudo  bem. Não se fala mais nisso. Pronto. 
- Entendi, não é para quem quer, é pra quem pode.
- sim, são clubes naturistas, você tem serviços, regras, paga e tal.. 
-Desculpa, natural é que não é.
- Ninguém nem liga, Crê. Você não vê que é uma filosofia? 
-  Engraçado,  é a primeira vez na vida que vejo você falar em filosofia.
- Ainda estou me informando, é algo assim tipo recuperar a pureza. Adão e Eva antes da maçã.
- É ruim, hein! Pois depois que Adão comeu da maçã é que o mundo ficou bom!
- Não adianta, quando você não quer entender, não adianta.
- E sabe o que mais, Boa? Curto roupa. A melhor coisa que uma boa roupa faz é levantar o astral da gente, o astral e tudo mais .
- Natural, natural mesmo, Mildinha, só numa ilha deserta, e só nós dois. 
- Completa, vai, mas que
 que  graça tem, né? Se o seu complexo é só ser visto nu por mim, relaxe. 
- Tá vendo, pra que eu fui  revelar meu sonho!
- ...
- O que você está pensando?
- Taí, uma ilha deserta, deserta mesmo, eu até topava ficar pelada,  com kit de  repelentes,  um antialérgico,  filtro solar, acampamento climatizado... mas por uns poucos dias. Pouquíssimos!
- Então, taí, vamos para uma ilha deserta?
- ...
- Que foi?
- Ué, vamos...
-  Que foi? Que cara é essa?
- Pesquise na Internet uma única ilha deserta que você possa ficar nu e depois me conta.
- Você conseguiu!
- O que?
- Transformar um sonho íntimo em um sonho impossível.
- Ué... O sonho é seu...
Ficaram um tempo calados.
- ...
- Que foi ,Cremilda?
- Me ocorreu uma ideia: já que não vamos a uma ilha deserta, a ilha deserta pode vir até nós!
- Como assim?
- Olha só. A gente bota na nossa novíssima telona 65,  um vídeo desses de ilhas paradisíacas em 3D, fecha as persianas, ficamos pelados e pronto, taí  nossa "ilha deserta".. sem areia, sem oxiúrus,   sem mosquito, uns petiscos, uma champanha,
Que tal, heim?
- Não é bem um sonho,mas uma boa ideia...
-  Já podemos começar!
Entram e fecham as persianas.


6.3.21

Táxi driver

Rosilda olha o celular, Cremilda ajeita a si própria:
-Tanto assalto, desgraça, insegurança, não sei aonde a gente vai parar. Sabe que quase 80% das pessoas da cidade já foram ou tiveram parentes ou conhecidos assaltados?
-É mesmo? Pois eu estou entre os 20% que escaparam...
-Falando nisso, deixa eu te contar, me aconteceu ontem um lance tipo táxi driver .
-Táxi driver? Conta isso, Rosilda!
-Quer dizer, mais ou menos...
-Conta aí!
-Ontem você sabe, saí mais cedo pra ir ao dentista, e peguei um táxi na estação das barcas pra voltar pra casa. E aí, quando fui dizer ao motorista para onde ia, ele disse assim: “Pode deixar, eu sei.”
-Rá, tá na cara, era um conhecido seu!
- Juro que nunca vi mais gordo.
-Mas claro que você perguntou de onde ele te conhecia e tal...
-Não, me deu uma coisa, eu tentava explicar, ele só dizia “pode deixar, dona, eu sei”. Aí eu deixei, paralisada!
-Peraí, Rosilda! Eu falava: “que mal lhe pergunte, de onde o senhor me conhece, como sabe onde eu moro?”, como assim?
-Deu branco, sabe quando dá branco?
-Não, nessas horas não me dá branco não,
-Pois é, mas deu.
-E ele estava indo pelo caminho certo?
-Certíssimo!
-Então era um fã, um admirador secreto! Era bonitão? Parecia com o De Niro, pelo menos?
-Aí é que está, é daquele tipo que você nunca presta atenção...meia idade, comum.
-Então foi isso. Não era nenhum De Niro, você não prestou atenção.
-Pois é, me deixei levar, sabe seqüestro consentido, ele me seqüestrando pra minha casa. Por via das dúvidas, fiquei coladinha junto à porta e com a mão na maçaneta, nunca se sabe...
-Hum...Tô vendo que não aconteceu é nada...
-Parece que ele sentiu minha aflição. Pra relaxar, de repente disse: “sou aposentado, mas não agüento ficar parado, sabe como é. Prefiro o stress da rua a ficar em casa lendo jornal. Na rua as coisas acontecem...” E eu de olho aberto no trajeto, nem piscava. Me lembro que pronunciei “é verdade”, tudo que ele falava, eu falava “é verdade”.
-Só você, mesmo heim, Rosilda!
- Aí ele continuou: “virei taxista e assim me divirto bastante”.
-E-ê, já pensou se era o Jack o Estripador, heim? E você, falou o que?
- Nada. Ri amarelo, nervosa. Aí fiquei disfarçando, comentando o trânsito, o tempo, essas coisas que a gente fala pra encher o vácuo, - sabe aquele vácuo? -minha imaginação bolando manchetes, me imaginei me jogando do carro em movimento, essas cenas de filme de ação.
-Rosilda, eu não acredito! Tá na cara que você não se jogou, não foi seqüestrada e nem teve os míseros quinze minutos de fama!
- Teve final feliz graças a Deus, mas a sensação de viver de verdade um thriller é impagável!
- Thriller, Rosilda?
- Um pouquinho de adrenalina não é nada mau de vez em quando, nè?
- Adrenalina??? Ninguém merece! E como acabou essa aventurazinha mixuruca, heim?
- Acabou em frente a meu prédio.
- Mais previsível impossível! Sem-graça esse teu suspense, heim, Rosilda? Cadê o táxi driver? Fala sério!
-E tem mais, quando fui pagar, ele não quis aceitar.
-Hum, aí já melhorou, virou filminho “cor-de-rosa”.
-Sorriu para mim e disse: ”Senhora, somos vizinhos ”!
- Que vergonha, heim, Rosilda, seu vizinho! Que vergonha! E o que você falou?
-Eu disse com a cara mais sem graça deste mundo:”ah,é?”
- Tsc, tsc, tsc! Papelão!
-Ele disse “eu vinha pra casa mesmo, não custava nada...” O pior não foi isso.
-Declarou-se! Vizinho apaixonado!
-Não, pegou minha mão e beijou o dorso, bem à antiga!
- Antiquado, mas tá bom, gentil...Você pelo menos sorriu, agradeceu, pediu desculpas e tal, pelo vexame...
-Eu quis me desculpar, mas acredite, mal deu pra eu gaguejar um “m-muito obrigado”, a boca não obedecia. Fiquei dando adeusinho, com um sorriso idiota nos lábios. Quando dei por mim, o homem estava entrando na garagem do meu prédio .
-Guardou a cara dele pra não dar mais mancada, pelo menos?
-Mais ou menos...
-Ô, Rosilda, a tua mãe não te ensinou a olhar por onde anda não?
-Ensinar ensinou, mas isso já faz tanto tempo...
-Deve ter muito tempo que você não vê Taxi Driver, heim, minha amiga? Nada a ver!

Nota: Taxi Driver, filme de Martin Scorcese(1976) relata a vida de um motorista (Travis) que sofre de insônia e Trabalha à noite em Nova York se oferecendo para trabalhar no turno da madrugada, dirigindo sem rumo pela periferia de Manhatan Observa Nova York de seu táxi e irrompe com violência contra o que julga ser a escória que contamina a cidade.

13.9.20

Dinastia do bacalhau


Cremilda e Rosilda  estão num restaurante-com-cara-de-boteco,  mas famoso por seus bacalhaus e frutos do mar, e ainda aguardando a chegada das amigas para confraternizarem o fim de ano. Muito tumulto e aperto entre as mesas. Elas vão chegando aos  poucos e sendo recebidas com muita festa. A  cerveja já encabeça as entradas,beijinhos e brindes pra lá e prá cá.




1962 Retrato De Velho Pintura A Óleo Assinado | eBay- Não acredito, Rosi! Você pediu cerveja sem álcool. Ah não! - Comenta Cremilda provocando.
- Sim, é álcool   nunca mais !
- Vaia nela,  meninas. -  Seguem-se as vaias e os  risos e gritaria de "álcool, álcool,álcool""bebe, bebe,bebe"!
- Por isso mesmo, sem chance.  Se ainda tivesse com um gato...Prefiro ficar sóbria.
- Hum (Cremilda sussurrando) olha ali,  tem dois gatos na mesa vizinha, sozinhos....
- Sozinhos e bem casadinhos, pode apostar. Ou são namorados.
- Como saber? Só chegando ...
Um deles percebe que é alvo de comentário, levanta um brinde e dá um selinho no companheiro.
- Não disse?
- Não perca as esperanças.
- Não adianta, amiga. O mundo é gay.
Cremilda levanta o copo:
- Um brinde à cerveja fake!
- E eu ao mundo gay!
Risos e aplausos.
Rosilda, a certa altura, se distancia um pouco das conversas e dá um giro com o olhar naquele espaço popular e intenso, simples com suas toalhas xadrez, transbordando euforia de fim de ano, quando se depara com um enorme retrato a óleo na parede, ocupando um canto inteiro da parede. Um senhor, idade indefinida, para além dos setenta, nem distinto nem indistinto, olhar vago, inexpressivo. Seria aquele quadro uma homenagem póstuma, um abuso de vaidade, ou a paga da dívida de um pintor? Tentou comentar com as amigas, mas elas estavam tão atentas aos "babados " do trabalho, que achou melhor elucubrar, pensando na causa mortis daquele retratado, para quem imaginava nada de muito espetacular ter acontecido. Devia seria ser o primeiro dono do restaurante e um filho prestou-lhe uma bela homenagem.  Um trivial AVC, ou um câncer talvez  - seu aspecto era de uma pessoa  já tomada pelos achaques da idade, coitado. Perdida nesses pensamentos,  de repente, sente umas batidas leves nas costas e vê surgir,  nada mais nada menos,  bem ali do seu lado,  o  morto do retrato ao vivo!. Um grito, incontido e a mão ao peito  foram instantâneos. Ele, surpreso, se desculpou. - Senhora..  perdão não queria assustá-la  tanto!
- Estava distraída, me desculpa o senhor... respondeu Rosilda,  abanando-se com o cardápio -
  Nada a desculpar. Então...  o senhor então  é.. é ele? - disse Rosilda aponta para o retrato,  sabendo que ele era ele.
- Perfeitamente. Um amigo pintor que,  infelizmente que não está mais entre nós, doou-nos.
- Ah, o pintor foi quem morreu...,  concluiu Rosilda quase inaudível, -  que ironia, heim ?
- Sim, levou-o um  câncer. Caríssimo amigo.- Disse ele, diante das amigas, ainda perplexas com a reação de Rosilda.
 - Boa noite, senhoras.  Sou o dono do estabelecimento,  Joaquim  Oliveira III, às suas ordens.  Estou cá a saber se as distintas senhoras estão  bem servidas .- disse ele com um leve sotaque lusitano.
 Todas responderam em coro que sim. Ao verem depois o Joaquim  Oliveira III se afastar, alguém comentou
.-Hum, dinastia do bacalhau!
E voltando-se para Rosilda:
- Que  chilique foi aquele, Rosi? O homem é feio, mas não é nenhum frankenstein! Parece que viu um fantasma!
- Meio que sim...Sabe o retrato a óleo  ali  na parede,- todas olharam -  eu jurava, pela minha mãezinha, que  só podia ser póstumo! Fiquei imaginando do que esse senhor  teve uma morte chinfrim ou gloriosa, ou o que fez pra merecer um quadro desses  e, justo nessa hora, dou com ele chegando pelas minhas costas, como se tivesse saltado do quadro!
- Tem razão, Rosi.
- Tá explicado! Só podia ser alguém da dinastia do bacalhau! - disse Cremilda.
Risos
Alguém, não satisfeito,  ainda perguntou:
- Rosilda, fala a verdade, tem certeza que essa cerveja que você  tomou foi álcool zero mesmo?


29.4.18

A noite nos braços do leão (imposto de renda)

Rosilda senta-se ao lado de Cremilda, ar cansado, mas sorridente.

- Ih já vi que você passou uma noite e tanto.
- Sim. A noite e parte madrugada..
- Opa! , E quem foi o gato?
- Não foi um gato. Foi um bicho maior. Olha as olheiras.
-  É mesmo. Que bicho foi ?
-  O leão.
- Hum... tô sabendo. Imposto..
- Ele mesmo.
- Que chato. Mas o leão deve  ter tido muita atividade essa noite.
- Com você também?
-  Eu não! Nos livramos dele no início do ano. Tá doida?
- Você tá certa. Todos os milhões que deixam pra última hora como eu, se estressam.
- Pois é ... A imagem do animal  é perfeita. Enquanto não resolve a parada,  não sai de cima.. já ouviu falar na cópula de um leão? Leva horas!
-  Quer saber de uma coisa ? A sensação de quando aparece aquele maldito recibinho, é uma sensação quase erótica, orgásmica.
- Ro, minha amiga, só desculpo você entendo que esteve sob forte estresse que dá nas pessoas nessa época.
-  Pois acredite, eu dei um grito tão grande de satisfação que varou a noite. Provavelmente as pessoas não imaginaram que eu estava em companhia desse leão, mas de um gato. Foi um urro!
- Tá mal. Chamar alívio de orgasmo. Você diante daquela coisa fria, que não tem cara, e sabe da sua vida mais do que qualquer outra pessoa e as vezes coisas que até nem você sabe..
- Então, a tensão aliviada é o que? Energia, orgasmo.  Reich¹ já dizia!
- É porque Reich não experimentou uma noite com a Senhora Receita Federal. Não viveu pra conhecer os dilemas atuais do homem com a máquina. Nem com  a tecnologia  nem com governos como os nossos. Mudava toda sua teoria.
- O fato é que eu to cansada, cansada, mas leve como uma pombinha depois de uma noite de amor.
-  Noite de amor! Você devia é descansar, depois dessa maratona de números! Número e sexo não combinam.
- Não foi tanto uma maratona. Foi mais DR* que maratona.
- DR? Pirou! Não tem discussão, é ruim heim! Morde sem dó!
 - É que são muitos detalhes. Detalhes tão pequenos de nós dois...
- Nós dois quem ?
- Eu e o leão..
- É minha amiga, procura um especialista, que já to achando que você está mesmo com estresse pós-traumático.
- Que nada! O ano que vem tem mais.


1 Wilhelm Reich psicanalista discípulo de Freud. Ficou famoso quando escreveu A Função do Orgasmo em 1927 livro que se tornou cult nas décadas de 60/70.
*DR,  expressão que usa com referência a "discutir a relação"

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